Percursos – Centro Cultural Light, 2019

Curadoria: Thiago Fernandes

Texto curatorial:

Cinco artistas foram convidados a realizar interferências em possíveis percursos entre a Central do Brasil e o Centro Cultural Light, onde são expostos seus registros ou resíduos. Luana Aguiar, Mariana Paraizo, Mery Horta, Rodrigo Pinheiro e Thales Valoura desenvolveram performances e intervenções urbanas especialmente para a exposição Percursos, que traz como principal questão a relação entre o espaço urbano e o espaço expositivo de arte.

A arte, quando inserida criticamente na cidade, pode criar alternativas para a monotonia e a racionalidade dos percursos cotidianos, convidando o transeunte a uma nova experiência estética no espaço urbano, que deixa de ser um simples lugar de passagem. Sua extensão para o espaço expositivo, por meio de imagens e resíduos, possibilita meios de sobrevivência a esses trabalhos efêmeros, garantindo novas formas de visibilidade e possíveis desdobramentos.

Mas o que são essas extensões? Seriam obras de arte? Registros? Ilustrações? Percursos coloca em xeque as fronteiras entre obra e documentação, questão que emerge na década de 1960 com a arte conceitual, devido a sua proposta de desmaterialização da arte e a consequente transformação do trabalho artístico em ideia, em detrimento do objeto. Nesse contexto – onde vimos também surgir a performance, a land art e intervenções no meio urbano – começa a ser questionado o estatuto dos registros e resíduos desses trabalhos efêmeros, perecíveis, processuais, que passam a compor exposições e acervos de museus. Tais questões desdobram-se até hoje, em trabalhos de novos artistas. 

Nesta exposição, são exploradas diversas possibilidades de extensão de ações efêmeras. Em alguns casos, o material exposto na galeria torna-se o principal meio de fruição para aqueles que não presenciaram os trabalhos fisicamente, como as performances de Luana Aguiar, Mery Horta e a interferência de Mariana Paraizo. Em outros, veremos que esses registros ou resíduos tornam-se extensões do trabalho artístico, que se inicia na rua e continua acontecendo na galeria ao longo da exposição, como as propostas de Rodrigo Pinheiro e Thales Valoura.

A Central do Brasil é escolhida como ponto de partida por ser o principal meio de acesso ao Centro Cultural Light para quem se desloca de qualquer ponto do Rio de Janeiro ou da Baixada Fluminense. Dessa maneira, os artistas lançam olhares poéticos sobre esses percursos, que no dia-a-dia são racionalizados, sendo executados por corpos movidos pela pressa e objetividade, sem que ali esperem encontrar uma obra artística.

Artistas:

Luana Aguiar, Mariana Paraizo, Mery Horta, Rodrigo Pinheiro e Thales Valoura

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